Um estudo feito em conjunto por pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) e do QuintoAndar mostra que a rentabilidade dos imóveis residenciais chegou a 36,5% ao ano no Centro de Belo Horizonte. O dado, referente a 2024, reflete a soma do rendimento estimado com o aluguel (6,7%) à média de valorização dos imóveis na região no período (29,8%).
É a primeira vez que pesquisadores do FGV IBRE, um dos mais renomados institutos de análises econômicas do país, e do QuintoAndar, a maior plataforma de moradia da América Latina, realizam um estudo em parceria.
“O estudo mostra que a combinação entre valorização patrimonial e renda gerada pelo aluguel posiciona o imóvel residencial como uma opção competitiva de investimento no contexto pós-pandemia. No caso de Belo Horizonte, especialmente, houve bairros em que a rentabilidade total bruta chegou a ultrapassar os 30%, afirma Thiago Reis, gerente de Dados do Grupo QuintoAndar.
Confira o top 10 de bairros com maior rentabilidade total bruta em BH em 2024:
- Centro – 36,5%
- Santa Terezinha – 33,7%
- Bandeirantes – 33%
- Caiçaras – 31,1%
- Carlos Prates – 23,1%
- Salgado Filho – 21,8%
- Paquetá – 20,2%
- Boa Viagem – 18,8%
- Silveira – 16,9%
- Jardim América – 16,7%
“Na lista há bairros de diversas regiões da capital mineira. Isso mostra que as oportunidades ficaram espalhadas por toda a cidade, afirma Reis.
Para fazer o cálculo da rentabilidade total bruta, foram considerados os dados de anúncios e contratos fechados pelo QuintoAndar. Foi feita, então, a soma do chamado rental yield com a valorização dos imóveis no período.
“Fazer uma estimativa da rentabilidade do imóvel residencial preenche uma importante lacuna no debate sobre o mercado imobiliário brasileiro. A análise proporciona insights sobre a dinâmica de oferta e demanda no setor e ajuda a identificar áreas ou períodos em que o mercado apresenta maior potencial de retorno sobre o investimento, balizando a tomada de decisão, diz o gerente de Dados.
Rendimento com o aluguel
De 2020 a 2024, o rendimento médio ao ano para os aluguéis residenciais cresceu, chegando ao patamar de 5,7% na cidade. Ele varia para cada região, assim como a valorização dos imóveis.
Além de quantificar o rendimento do aluguel residencial (o chamado rental yield) e calcular a rentabilidade total dos imóveis, o estudo também teve como objetivo explorar os fatores que impulsionaram a valorização do mercado de locação em BH e em outros dois pólos metropolitanos (SP e Rio), analisar a interação entre custos de construção e os preços de aluguel e fornecer subsídios para a formulação de políticas públicas e decisões de investimento.
“A elaboração de uma análise construída a partir de uma estimativa de rentabilidade é uma contribuição relevante do QuintoAndar e da FGV para a democratização de informações sobre o mercado imobiliário, afirma André Braz, economista do FGV IBRE.
Na análise, é possível perceber uma recuperação consistente no valor dos aluguéis em Belo Horizonte nos últimos anos, com ganhos similares aos do período pré-crise sanitária. “Isso mostra o aquecimento gradual do mercado, reforçando a resiliência do setor e demonstrando a grande importância deste tipo de acesso de moradia no cenário econômico atual, além de indicar uma alternativa a ser considerada pelo investidor, diz Braz.
“Ainda que seja preciso levar em conta a questão da liquidez, quando comparada a títulos financeiros, é possível dizer que o imóvel residencial apresenta um desempenho bastante robusto, com uma boa expectativa de ganho no horizonte de médio e longo prazo. A característica de proteção contra a inflação, renda periódica via aluguel e potencial de valorização patrimonial reforça o papel estratégico do mercado imobiliário residencial como uma interessante alternativa complementar de investimento, afirma o economista do FGV IBRE.
Sobre o FGV IBRE
O Instituto Brasileiro de Economia (FGV IBRE) foi criado em 1951. É a unidade da Fundação Getulio Vargas (FGV) que tem por missão pesquisar, analisar, produzir e disseminar estatísticas macroeconômicas e pesquisas econômicas aplicadas, de alta qualidade, que sejam relevantes para o aperfeiçoamento das políticas públicas ou da ação privada na economia brasileira, estimulando o desenvolvimento econômico e o bem-estar social do país. Desde a sua criação, o FGV IBRE desenvolve estudos socioeconômicos, pesquisas, análises e diversos indicadores baseados no levantamento de dados econômicos, financeiros e empresariais. Entre as estatísticas econômicas produzidas pelo IBRE destacam-se os índices de preço e os indicadores de tendências e ciclos de negócio, de ampla utilização por estudiosos, analistas da economia brasileira e gestores na esfera pública e privada.