Mais da metade dos brasileiros (56%) diz que eventos climáticos poderão impactar a escolha do próximo imóvel. É o que revela a pesquisa “Retratos do morar”, realizada pela Ipsos-Ipec e encomendada pelo Grupo QuintoAndar. Em meio à COP30, o levantamento traz um panorama inédito de como a crise climática já impacta uma das decisões mais importantes na vida das pessoas: a escolha de um lar.
Os dados mostram, inclusive, que 52% acreditam que o bairro em que vivem não está preparado para enfrentar eventos climáticos extremos.
A pesquisa, que ouviu 2.485 pessoas e tem margem de erro de dois pontos percentuais, faz um recorte geracional e mostra que o pessimismo varia dependendo da idade.
De acordo com o levantamento, 56% da geração Z (de 18 a 28 anos) acha que o bairro em que mora não está preparado para lidar com as mudanças climáticas em curso, ante 41% dos baby boomers (61 anos ou mais). “Essa diferença de percepção entre as gerações é muito significativa. Os mais jovens cresceram com a crise climática como uma realidade presente e urgente, o que naturalmente se reflete em um maior ceticismo sobre a capacidade de resposta da infraestrutura urbana. Eles não apenas se preocupam mais com o futuro, como também enxergam as vulnerabilidades do presente de forma mais aguda”, afirma Thiago Reis, gerente de Comunicação e Dados do Grupo QuintoAndar.
Ao todo, 61% dos entrevistados dizem que a preocupação com as mudanças climáticas será maior no futuro, pensando nos impactos que as moradias poderão sofrer.
Questionados sobre as características a serem buscadas na hora de comprar ou alugar um imóvel, tendo em vista os eventos climáticos, os brasileiros elencam, na ordem:
- Distante de morros/encostas que possam ter risco de deslizamento: 40%
- Imóveis em regiões mais altas, que não tenham risco de alagamento: 37%
- Local arborizado/próximo a áreas verdes: 26%
- Conforto térmico/ventilação/ar-condicionado: 26%
- Construções com materiais específicos/resistentes/protetores: 23%
- Painéis solares: 20%
- Captação e reutilização de água da chuva: 12%
- Telhado verde (vegetação plantada sobre um sistema impermeável): 6%
No recorte geracional, chama a atenção o percentual elevado de preocupação por parte dos baby boomers em evitar regiões propícias a alagamentos: 49% colocam como essencial uma localidade livre desse risco.
“É uma geração que testemunhou a urbanização das cidades e vivenciou os efeitos de enchentes históricas. A preocupação é pragmática: proteger o patrimônio construído ao longo da vida e garantir a segurança em uma fase onde a tranquilidade é prioridade”, afirma o gerente de Comunicação e Dados do Grupo QuintoAndar.
Ainda de acordo com a pesquisa, 32% dos brasileiros dizem já ter morado em imóveis com infiltrações e umidade, 19% relatam danos a portas, janelas, telhado ou áreas externas em razão de eventos climáticos, 18% dizem que já viveram em locais que sofreram danos estruturais e outros 12% citam danos elétricos ou hidráulicos.
Apesar de um em cada três entrevistados dizer nunca ter residido em um imóvel que tenha sofrido danos causados por eventos climáticos no país, há um abismo ao ser analisada a experiência de cada faixa etária: 51% dos baby boomers relatam jamais ter morado em imóveis afetados enquanto apenas 25% das pessoas da geração Z dizem o mesmo.
Metodologia
Ao todo, foram realizadas 2.485 entrevistas online com a população brasileira com 18 anos ou mais, das classes A, B e C, em todas as cinco regiões do país (Sudeste, Sul, Norte, Nordeste e Centro-Oeste). Há uma amostra representativa das regiões metropolitanas de Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Curitiba. A pesquisa foi feita entre os dias 14 e 31 de agosto de 2025 e tem uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos para o total da amostra.